Opinião

Caiubi Kuhn: O vereador e a economia de 100 por cento

04/11/2020 18:45:58
Divulgação

Uma vez questionei um jovem deputado de Mato Grosso o que ele estava fazendo pela população. O deputado alegou que era o que menos custava aos cofres públicos. Respondi que ele poderia custar zero reais se não ocupasse cargo algum. Então não tive mais respostas do nobre representante, e minha mensagem foi apagada da página pela equipe do parlamentar. Em época de eleições para vereador vejo muitos baseando sua campanha em dizer que irão cortar gastos do gabinete, mas será que irão trabalhar? 

                Embora concorde que muitos gastos podem e devem ser reduzidos, um candidato ou candidata que se baseia somente nesta plataforma, está na verdade querendo ficar quatro anos ganhando dinheiro sem fazer nada. Sim, embora possa custar menos que outros parlamentares, mesmo assim ainda consumirá muito do suado dinheiro do cidadão. É como se tivéssemos um funcionário que não trabalhasse, mas custasse menos que outros. Ou seja, de qualquer forma um prejuízo para você eleitor. 

                Um ou uma parlamentar atuante pode contribuir muito com projetos e por meio de fiscalizações. Com essas ações pode auxiliar o município e garantir a boa aplicação dos recursos públicos. Inúmeras áreas precisam de cuidado especial em muitas cidades do estado de Mato Grosso, seja a geração de empregos para a juventude, políticas públicas de ordenamento territorial, saneamento, de cultura, políticas para idosos ou para mães e crianças, entre outras. Isso sem falar do tradicional discurso de saúde, educação e segurança. 

                Os candidatos e candidatas precisam entender o mínimo de políticas públicas, possuir ideias claras de projetos e ações que possam fazer a vida de você eleitor, uma vida melhor. Falar apenas em cortar gastos pode significar um discurso vazio, de um alguém que quer apenas ter um salário, um gabinete e influência política por 4 anos. Talvez esse tipo de parlamentar, em alguns casos, seja até pior que os tradicionais políticos assistencialistas. 

                Precisamos sim de mudanças no país, mas elas passam por pessoas que queiram construir a gestão pública, e não por pessoas que façam apenas discursos fáceis e desacompanhados de alternativas viáveis e práticas para solucionar problemas. Um parlamento atuante é capaz de mudar uma cidade. Mas isso só é possível quando o foco de atuação for a construção de políticas públicas e a boa aplicação dos impostos do cidadão. 

 

Caiubi Kuhn 

Geólogo, especialista em Gestão Pública e mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT);

Docente do Faculdade de Engenharia UFMT-VG;


Redação
Fonte: Caiubi Kuhn



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