Opinião

Ramayanne S Bicalho: Porque ainda precisamos de um dia da Consciência Negra?

20 de novembro, dia da Consciência Negra

20/11/2020 09:43:36
Divulgação

Todos os anos escuto as mesmas frases:

“Pra que o dia da consciência negra se não há dia da consciência branca?”

“Por que um feriado, uma data específica para nos lembrarmos dos negros se todos nós somos iguais? Por que não o dia da consciência humana?

E quem nunca ouviu a fala equivocada atribuída ao ator Morgan Freeman?

“O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparece”.

Quem compartilha essas frases parte sempre de uma realidade particular, e nunca coletiva. Morgan Freeman, por exemplo, embora negro, é um ator famoso e privilegiado pela classe. Ele não pode falar pelo indivíduo negro anônimo que é sempre reconhecido pela polícia como o bandido da vez, pois tem a pele e o jeito de um; também não é a mulher negra vista apenas para ser serviçal doméstica ou mulata globeleza, e que deseja, acima de tudo, ser ela mesma. Tampouco Morgan Freeman é o negro rico ou pobre comum que pela cor da pele é julgado antes de ser conhecido.

Por quase quatro séculos os negros foram considerados no Brasil um ser a parte, excluídos de cidadania e humanidade plenas e mesmo quando foram libertados no final do século XIX, nenhuma recompensa e reconhecimento foram dados aos antigos escravos.

Os brancos não precisam de um dia para ser lembrados, pois nunca foram esquecidos, nunca tiveram sua identidade subalternizada. E mesmo 132 anos após a abolição ainda não há igualdade de partilhas e de direitos.

  • Mulheres negras são as que mais sofrem violência doméstica, 58,68%
  • 64% dos desempregados são negros
  • Negros ganham 42,5% a menos que brancos
  • Negros ocupam apenas 30% dos cargos de chefia
  • Apenas 18% dos juízes brasileiros são negros
  • 75% dos mortos pelas polícias brasileiras são negros
  • 60% dos presos no Brasil são negros.

Só seremos todos humanos iguais, quando as oportunidades forem iguais, e elas infelizmente não são.

Ramayanne S Bicalho: Advogada desde 2014. Especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário pela PUC/Minas


Redação
Fonte: Ramayanne S Bicalho/ JusBrasil



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